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:: religioso: A religião e sua importância (2.ª parte)

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Entretanto o Prior promovia, dirigia e estimulava entusiasticamente as obras, abonava os dinheiros que eram necessários e, enquanto duraram os trabalhos, desde a abertura dos alicerces até à final caiação e pintura da capela, mandou fornecer generosamente de sua casa, para que os salários fossem menores, abundantes refeições a todo o pessoal operários, três vezes em cada dia.

Animadas por tão grande entusiasmo, as obras correram rapidamente. A 21 de Junho de 1851 estava a capela  construída, faltando apenas assentar a telha, caiar o edifício por dentro e por fora e colocar o altar. em sessão desde dia manifestou o Prior Dionísio aos seus colegas da comissão o desejo de que no próximo dia 15 de Agosto de fizesse a festa inaugural da capela, pois tinha escolhido a festa da Assunção da Virgem para a solenidade anual, da Nossa Santíssima Padroeira. Escreveu imediatamente para Coimbra,  a pedir a necessária licença para a bênção e para se fazer a exposição do santíssimo na festa do dia 15, a qual foi logo concebida, por Provisão do Vigário-Geral, em data de 25 do mesmo mês de Julho.

Em nova sessão, decorridas duas semanas, comunicou o Rev. do Prior oficialmente a 6 de Agosto à comissão, que a capela fora dada como pronta e apta para nela se realizarem com decência os ofícios divinos.

No domingo de 10 de Agosto, dia do Mártir S. Lourenço, transbordava de fieis a igreja à hora da missa paroquial, pois já todos esperavam que o seu querido Pastor lhes fala-se da nova capela e das solenidades inaugurais. Efectivamente, à estação da Missa, antes do Lavabo, anunciou-lhes que a ermida de Nossa Senhora dos Milagres estava concluída e ia ser aberto ao culto.

Podem ainda hoje reproduzir-se as suas breves palavras pronunciadas comovidamente nesse singela alocução, acomodada às inteligências do auditório, porque ele a deixou escritas "in memoriam", num papel que se conserva guardado com toda a veneração. Ei-las:

«Meus queridos fregueses:

Tenho hoje a grande satisfação de vos anunciar, que a nossa capela, que vai ser benzida em honra e valor de Nossa senhora dos Milagres, por todos nós com tanta devoção edeficada, e está concluída.

Regozijemo-nos todos em Deus nosso senhor e em sua Mãe maria Santíssima, e demos infindas graças por este grande benefício, realizado por inspiração e com manifesto auxílio do Céu.

Mais vos anuncio que a nossa que rida capela há deser benzida, sendo essa vontade de DEUS, na próxima terça-feira. Convido todos osmeus paroquiandos a assistir a este acto religioso, e à Missa que logo a seguir há de ser ali celebrada. Apesar de não ser dia santificado, espero que ninguém falte. Nosso Senhor e sua Mães puríssima lhes compensarão o sacrifício que para iso fizerem.

Fui eu, como é bem sabido, que tive a iniciativa desta obra, e hoje é muito grande a minha satisfação e alegria em a ver concluída. Escolho o designo o dia 15 de Agosto, em que a Santa Madre Igreja comemora solenemente a Assunção da Santíssima Virgem ao Céu, pra todos os anos perpétuamente se celebrar nesta ermida a festa da sua Padroeira, Nossa Senhora dos Milagres.

Ao zelo religioso e devoção dos nossos Antepassados devemos a nossa igreja paroquial, e venerarmos por padroeiro da freguesia o glorioso MÁRTIR S. PELÀGIO.»

Efectivamente, na terça-feira 12 de Agosto de 1851, reuniu-se pela manha toda a freguesia na igreja paroquial. dali saiu a vistosa procissão a Irmandade de S. Pelágio, transportando um andor com a Imagem de Nossa Senhora dos Milagres (actualmente este facto não acontece, os irmãos da Irmandade de S. Pelágio levam o andor do nosso padroeiro Mártir S. Pelágio), e incorporando-se topa da gente da povoação e das quintas. Presidia a esta procissão, comissionado pelo Prelado diocesano, o M.to Rev. D. Manuel Joaquim pereira Ribeiro da Rocha, Arcipreste deste distrito eclesiástico de Travanca de Lagos paramentado de capa de Asperges branca; ao lado dele, cheio de alegria e satisfação, caminhava de sobrepeliz e murça o Rev. do Prior Dionísio Garcia de Ribeiro.

Dirigiu-se a procissão à nova capela, cantando-se a ladainha de todos os santos, e ali o Arcipreste procedeu à bênção da ermida por fora e por dentro. Cá fora o povo e a Irmandade conservam-se piedosamente de joelhos no terreiro, e cantavam em frente da capela. Terminado o acto benedicional, os sacerdotes saíram e a santa Imagem da Virgem foi a primeira a entrar na sua morada e após ela entrou o clero, seguido dos irmãos e por fim o povo. Seguiu-se a missa complementar da bênção, rezada pelo M.to Rev. Arcipreste.

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