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Nos meados
do séc. XVIII (1744-1745), a vetusta igreja paroquial de S. Pelágio foi
demolida por ameaçar ruína e de novo edificada em lugar algumas centenas de
metros desviada para Norte do local primitivo, ficando agora situada a meio da
povoação.
A
antiga Irmandade do Mártir S. Pelágio acompanhou na sua deslocação a igreja
onde se achava erecta e passou a funcionar no novo templo, que ainda existe.
Em
1851 fora, com a intervenção da autoridade eclesiástica, articuladas de novo
as disposições do antigo Compromisso e, em assembleia geral de 31 de Outubro
do mesmo ano, todos os irmãos reconheceram que essas disposições eram
fundamentalmente as mesmas, por que até ali se haviam regulado, declarando que
queriam que continuassem em vigor; pelo que todos subscreveram.
É
certo porém que muitas dessas disposições eram obsoletas e a autoridade
administrativa, decorridos pouco mais de 20 anos, obrigou a corporação a
organizar novo compromisso, que se harmonizasse com a legislação vidente.
Assim se faz; e em assembleia geral de 8 de Janeiro de 1875 foi o projecto do
novo compromisso aceito e assinado pelos irmãos, vindo a ser aprovado por
Alvará do Governador Civil a 7 de Maio do mesmo ano, e por despacho do
Ordinário Diocesano a 10 de Maio de 1881.
Era
o primeiro domingo do Advento, 1 de Dezembro de 1850.
O
rev. do Prior de S. Paio de Gramaços, Dionísio Garcia Ribeiro, benemérito da
Igreja e da Nação, que mais tarde foi Prior de S. Martinho do Bispo,
Arcipreste de Cernache e Arcediago da cidade da sede de Coimbra, achava-se na
sua igreja Paroquial, presido a uma comissão a seu convite eleita pelo povo,
afim de como representante de todos os paroquianos, deliberaram sobre um assunto
de grande importância para a freguesia.
Era
assim constituída essa comissão, presidida por pessoas ilustres desta terra,
escolhidos pelo povo.
Expôs
o Prior o grande desejo que ele tinha de que se edificasse um capela nesta
freguesia, onde não havia outro templo além da igreja paroquial, que se
porventura tivesse a infelicidade de ser interdita, não poderia exercer-se
actos do culto divino, nem sequer o Santíssimo se conservaria cá. Propunha-se,
pois a construção duma capela ou ermida nesta paróquia. O lugar que lhe
parecia mais apropriado era ao cimo da colina fronteira á povoação, onde
estivera noutros tempos a igreja paroquial e onde ainda agora se faziam os
enterramentos. Falando com o senhor Tenente Ferreira, a quem pertencia aquele
terreno, sua senhoria de muito bom grato cedera o terreno necessário para a
edificação. Disse o mais Reverendo prior, que contando com a anuência e boa
vontade dos seus paroquianos, já se havia munido de licenças, tanto
eclesiástica como civil, para a construção da capela o que tinha solicitado e
adquirido muitos materiais necessários; que comprara para a frontaria e da
ermida, as cantarias de uma capela em ruínas, que estava no termo de Folhadosa.
Achava-se pois, tudo a postos para poder principiar a obra imediatamente.
Manifestou
por fim o seu voto e desejo de que a nova capela fosse erguida em honra da
Virgem Santíssima, só à invocação de Nossa Senhora dos Milagres e
acrescentou que já tinha feito esculpir em Braga, à sua custa, a imagem
da Titular, e que a oferecia ao seu povo, para ser colocada e venerada sobre o
altar da nossa ermida. Logo retirou uma cortina que cobria a Imagem, já benzida
e provisoriamente colocada no altar de Nossa senhora do Rosário e todos então
viram e veneraram pela primeira vez a Imagem de Nossa Senhora dos Milagres.
A
proposta do bom e piedoso Prior foi recebida pelos representantes da
freguesia com muito prazer e satisfação. Encheram-se de grande entusiasmo e
logo ali, em face da venerada imagem, elegeram a santíssima Virgem por
protectora celeste e juraram sobre os santos evangelhos, nas mãos dos seu
pároco, que empregariam os possíveis esforços, tanto reunidos em comissão sob
a presidência daquele, como isoladamente, para levarem a completa
execução da projectada capela. Todo
o povo desta freguesia, cooperou activamente para edificar a dita obra, todos os
artífices e operários - pedreiros lavradores e carreiros, ferreiros,
serradores, carpinteiros, caiadores etc. - homens, mulheres e crianças, que
como jornaleiros costumavam trabalhar, todos prometeram e deram gratuitamente o
trabalho de alguns dias, continuando daí em diante a trabalhar com salários
reduzidos; alguns, como os ferreiros, serradores e carreiros da freguesia,
fizeram até ao fim todo o serviço sem remuneração alguma. Os proprietários
concorrem com dádivas em dinheiro e em materiais e aqueles que tinham bois
prestaram-nos para o serviço de carretos. Não se gastou dinheiro algum na
aquisição de madeiras, tanto de castanho de pinho, as quais foram todas
oferecidas. <
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