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São Paio de Gramaços é uma povoação da Beira Alta, sede de freguesia, que
pertence ao concelho de Oliveira do Hospital, distrito e diocese de Coimbra
Outrora algo periférica, São Paio de Gramaços é hoje uma das
freguesias urbanas da Cidade de Oliveira do Hospital, que apresenta
uma qualidade de vida e um conjunto de equipamentos públicos muito próximos
dos que a Cidade proporciona.
As Inquirições de 1258
dão-nos conta da existência desta povoação desde os primeiros tempos
da Monarquia Portuguesa.
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Assim, as suas origens remontam à época da nacionalidade. Nesse
tempo, era constituída apenas por um pequeno agrupamento de casais
implantados na encosta suave e luxuriante duma colina, dominada do
cinto do monte por uma pequena e devota igreja dedicada ao Mártir S.
Pelágio ou S. Paio que, com apenas 13 anos de idade trocou uma vida
de fausto e grandezas pela humildade de servir a Fé e defender a
castidade, encontrando o martírio na cidade espanhola de Córdova.
Também designada por S. Paio do Codêsso, a povoação foi-se
desenvolvendo até que, em 1850 o Rev. Prior Dionísio Garcia Ribeiro,
que mais tarde foi Prior de S. Martinho do Bispo, Arcipreste de Cernache
e Arcediago da Cidade, na Sé de Coimbra, fez sentir aos seus
paroquianos a necessidade da existência duma capela onde, em caso de
interdição da Igreja matriz, fosse possível celebrar o culto
religioso.
Em meados do século XVI (1543) foi constituída na igreja Paroquial a
"Santa Irmandade do Mártir S. Pelágio", na
qual D. João
III se filiou e se declarou “Protector e Juiz Perpétuo”, com
estatutos próprios e grandes privilégios concedidos pelo Papa Júlio
III (1550-1553).
Posteriormente atribuído o topónimo Gramaços deriva de “Garamaços”,
do latim “Garamaz”. Inicialmente chamada S. Paio de Codesso, só
em 28 de Julho de 1919 a freguesia passou a ter a actual
denominação. Pertenceu ao concelho de Seia até 1837, data em que se
incluiu no de Oliveira do Hospital. Era o cura da apresentação do
vigário de Folhadosa, do padroado do cabido de Coimbra.
Foi natural desta freguesia o erudito sacerdote e
escritor Dr. António Garcia Ribeiro de Vasconcelos, cuja casa natal
ainda existe em grande destaque no centro da povoação junto à sua
igreja matriz, ostentando esta uma lápide descerrada em 1 de Junho de
1944 por iniciativa da Câmara Municipal.
Assim nasce a Capela de
Nossa Senhora dos Milagres que passou a ser padroeira de S. Paio de
Gramaços, com a Confraria Própria. Mais tarde o povo decidiu fundir a
Confraria de S. Pelágio com a da senhora dos Milagres, tal como hoje se
encontra.
Além dos testemunhos pré-históricos já apontados, outros objectos foram
encontrados na Quinta da Torre, a quatro, cinco metros de profundidade, durante
a abertura da mina a que já nos referimos no resumo deste historial.
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Assim,
e da civilização romana, foram recolhidos dois fusos de tear, um pisa-papéis,
uma mó grande, perfurada ao centro, esta ainda não classificada com rigor,
mas que se nos afigura ser igualmente romana por analogia com uma outra que o
escritor Zeferino encontrou (e guardou em sua casa), junto de uma plataforma de
lagar ou moinho, escavada no granito, na estação arqueológica de S.
Bartolomeu de Meruge e que há cerca de alguns anos tivemos a honra de revelar.
A arqueóloga Dr.ª D. Clara Portas, que ao local se deslocou a nosso pedido,
analisando alguns dos nossos testemunhos encontrados, foi de opinião que
naquele local floresceu uma civilização romana. Mas
na Quinta da Torre e do tempo dos romanos foram encontrados mais testemunhos, a
saber: quatro mosaicos de argila, com fendas de encaixe, utilizados em
pavimentações; inúmeras tégulas a denunciar, bem como os mosaicos, que esse
terreno foi urbanizado pelos romanos, que aí ergueram casas. Outros vestígios
a este hipótese: uma pá de meio metro de base e o segmento com mais de 25
centímetros de diâmetro. Parecer tratar-se de suporte ou ornamento de
edifício de grande parte, até porque também foram encontradas diversas
peças que deviam ter pertencido a um ou mais edifícios. Também
foram encontrados vestígios romanos numa quinta contígua, que pertenceu à D.
Josefina da Fonseca. No
mesmo local e também durante a perfuração da mina, foram ainda recolhidos
pedaços de uma lança que o arqueólogo D. Fernando de Almeida classificou de
moçárabes, bem como duas mós, sendo uma de granito. Constata-se,
portanto, que S. Paio de Gramaços é uma povoação antiquíssima tenso sido
habitada já na Idade da Pedra e posteriormente, que se saiba, pelos romanos,
visigódos e árabes, além de cristãos, evidentemente. Mas
a completa cristianização da freguesia e a consequente integração no
território nacional deu-se um pouco mais tarde com a conquista de Seia, em
1056, por Fernando Magno.
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Exceptuando
Bobadela e Lourosa, nenhuma outra povoação do concelho apresenta uma
história documentada tão longa e tão rica. Depois
da presença de árabes e visigódos segue-se um período obscuro na história
de S. Paio de Gramaços. Só em meados do século XII, no tempo de Afonso
Henriques, nos aparece Dom Chavão, rico-homem das terras de Seia, com
residência habitual em Gramácios ou Garamácios (mais tarde Gramaços). era
figura do maior destaque, o representante do rei no vasto território de Seia;
e, como tal, "tinha os direitos de padriado eclesiástico na vizinha paróquia
de Sampaio de Garamácios ou Gramaços", como informa o eminente
historiador e investigador Professor Doutor António de Vasconcelos.
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Isto
significa que a paróquia de S. Paio de Gramaços já existia no séc. XII
integrada, como Gramaços, na terra medieval de Seia cujos foros foram
sancionados e aumentados em 1136, por Afonso Henriques. Sabe-se
também, pelas Inquirições de D. Afonso III (1258), que S. Paio de Gramaços
povoada, pelo menos em parte, a foro de cavalaria - facto normal dadas as
estreitas relações políticas e administrativas que ao tempo existiam com
Dom Chavão. Consta
ainda das mesmas Inquirições que na alta Idade Média nacional a igreja de
S. Paio (e parece que também a vila), eram de D. Estevão Anes,
"pretor" ou alcaide da Covilhã; no entanto, aterra e o dono estavam
sujeitos às leis de Seia. Facto
para nós inédito: S. Paio, como ao tempo se chamava, em meados do séc. XIII
foi vila. Nas
Inquirições de D. Afonso III consta que a terra de Seia abrangia os actuais
concelhos de Seia (excepto Vide, Teixeira e Alvôco), de Oliveira do Hospital
e Tábua (quase interiramente); Paços da Serra e Vila Nova de Tázem, no de
Gouveia; Coja e Vila Cova, no de Arganil. Em
meados do séc. XIV a terra de Seia englobava as seguintes paróquias, hoje
enquadradas no concelho de Oliveira doo Hospital: S. Pedro de Lourosa, Santa
Maria da Bobadela; S. Cristóvão de Nogueira, Oliveira do Hospital, S. Pedro
de Travanca, S. João de Lagos, S. Miguel de Meruge e Santa Maria de Lagares. Recorde-se,
que se realizaram Inquirições Gerais nos reinados de D. Afonso II, D. Afonso
III e D. Dinis. Em
data que não conseguimos identificar, S. Paio de Gramaços passou a
designar-se S. Paio do Codeço - nome genérico de vários arbustos
leguminosos. Seria devido ao facto de terem existido muitos arbustos desta
natureza na região? Consta
de documentos de natureza familiar na posse do Sr. João Soares que em Julho
de 1863, S. Paio de Gramaços era julgado de Oliveira do Hospital com a actual
designação; mas no séc. XIX, a quando das Invasões Francesas, já se
chamava S. Paio do Codeço - nome que perdurou até 28.VII.1919.
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