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São em elevado número os homens ilustres que nasceram em S. Paio de Gramaços. De resto, ilustres são todos aqueles que ao longo dos anos têm contribuído para o progresso e bom nome da sua terra natal, seja pela sua cultura, pela actividade profissional, pelo seu bairrismo construtivo. Infelizmente hoje, em S. Paio de Gramaços,  são mais aqueles que lutam por denegrir a imagem da nossa freguesia, atrasando o progresso e apagando o bairrismo / tradição que nos envolvia há anos atrás.

Entranhado nas nossas vidas presentes, fazendo referência ao benemérito Serafim Marques, a grande figura Sampaense dos tempos modernos cujo nome perdurará na memória dos Homens para todo o sempre; mas ocorrem-nos mais seis nomes, dos quais dispomos de dados curriculares, e que passamos a mencionar.

Comendador Alexandre Rodrigues

Vamos recordar o Comendador Alexandre Rodrigues oriundo da Quinta do Calado nascido a 29.10.1887. A ele se devem:

- construção das nossas escolas

- pintura e reparação da Igreja em 1930

- pintura e reparação da capela e construção do campanário com dois sinos.

Providenciou a electrificação da nossa aldeia.

Mandou por intermédio do seu irmão Francisco Silva plantar as tileiras no terreiro da Senhora dos Milagres.

Deu na Raposeira o terreno para aumentarem a SRLS.

Promoveu no Brasil de tal maneira a Romaria da Nossa Senhora dos Milagres que no concurso da melhor romaria ganhou o primeiro prémio (um cálice em ouro).

O título de Comendador foi atribuído pelo Governo.

Este grande benemérito faleceu em 19.06.1962.

Prof. Doutor António Garcia Ribeiro de Vasconcelos

O Prof. Doutor António Garcia Ribeiro de Vasconcelos nasceu em S. Paio de Gramaços no dia 1 de Julho de 1860.

Terminados os estudos elementares na sua terra natal, em 1869 fixou-se em Coimbra, indo viver em casa de seu tio paterno, O Pe. Dionísio Garcia Ribeiro, prior de S. Martinho de Bispo e, mais tarde, arcediago da Sé de Coimbra.

Decidido a seguir a vida eclesiástica, matriculou-se no Seminário, tendo-se ordenado sacerdote em 6 de Junho de 1865. A sua primeira missa fio rezada em S. Paio de Gramaços a 27 de Junho do mesmo ano na capela, mandada edificar, para esse efeito, pelo Dr. Lourenço Justiniano da Fonseca e Costa.

Terminado o curso secundário, matriculou-se, em 1878, na Faculdade  de Teologia onde obteve as mais altas classificações. Em 1885 licenciou-se em Teologia e em Junho de 1886 fez provas de doutoramento. 

Em 26 de Maio de 1887 foi nomeado lente para a regência das cadeiras de Estudos Bíblicos e Direito Eclesiástico. Na mesma faculdade de Teologia e até à sua extinção em 1910, regeu Dogmática, Ética Cristã e Isagoge Geral e Arqueologia Bíblica.

Faculdade de Teologia foi extinta pelo regime republicano (decreto com força de lei de 23 de Outubro de 1910); mas o Governo Provisório, por Decreto com força de lei de Abril de 1911, decidiu criar, também na Universidade de Coimbra, uma Faculdade de Letras destinada ao ensino das ciências psicológicas, filológicas e histórico - geográficas. E o doutor António de Vasconcelos, que tanto havia contribuído para a fundação da nova Faculdade, foi o seu primeiro director.

Era nesse tempo Ministro do Interior o Dr. António José de Almeida e Director - Geral da Instrução Superior o Dr. Ângelo da Fonseca.

Nessa altura já o ilustre catedrático se havia imposto nas cúpulas académicas nacionais e estrangeiras como um sábio, um historiador - investigador de incomparável erudição, além de escritor e jornalista dos mais brilhantes sempre que divulgava, no "Correio de Coimbra" e outros jornais e revistas da época, excertos dos trabalhos de pesquisa histórica.

Acrescente-se que o Doutor António de Vasconcelos, além de um grande teólogo e investigador incansável de documentos históricos, era simultaneamente um pedagogo, um filólogo e humanista, crítico de arte, orador, liturgista, arqueólogo, exegeta, numismata, epigrafo, paleógrafo, etc. e historiador em todas estas ciências, artes ou ramos de saber. Foi, de facto, uma figura ímpar em todos os domínios do saber.

O Doutor António de Vasconcelos legou à cultura um bibliografia vastíssima, constituída por mais de duas centenas e meia de estudos. E se é certo que muitos dos seus melhores escritos se centram em Coimbra (história de figuras ilustres, monumentos e tradições), mas são poucos os estudos que dedicou ao concelho da sua naturalidade e arredores como, por exemplo, Viriato, 1894; A Câmara Municipal de Oliveira do Hospital - Documentos interessantes para a história da actual vereação, 1903; Brás Garcia de Mascarenhas - estudo de investigação histórica, 1922; Oliveira do Hospital e o seu escudo de armas, 1922; Os sinos de minha aldeia, 1934; A Igreja de S. Pedro de Lourosa, 1935; e ainda uma Alocução Pronunciada na Capela de São Lourenço Justiniano, sita em Oliveira do Hospital, em 7 de Outubro de 1899, no acto solene de casamento da ilustre benemérito Senhora Dona Josefina da Fonseca com o José Correia de Lacerda e Lemos.

O Dr.  António de Vasconcelos foi o primeiro director do Arquivo da Universidade de Coimbra, onde realizou obra notabilíssima e o primeiro presidente da Académica Portuguesa da História, por ele criada em 1937.

O ilustre Lente da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra exerceu funções docentes até ao dia 1 Julho de 1930, sendo por força da lei afastado da actividade docente por completar 70 anos de idade e também 47 de magistério universitário.

Havia completado há poucos dias 76 anos de idade quando o Governo da Nação entendeu seu dever prestar pública homenagem ao lente jubilado, ao Professor ilustre, ao investigador e historiador de excepcional craveira. No dia 6 de Junho de 1936, o Ministro da Educação Nacional deslocou-se a Coimbra a fim de impor ao doutor António de Vasconcelos as insígnias do mais alto grau da Ordem com que em Portugal se consagram " os que exaltam o nome português com funda representação nas ciências, nas letras, no magistério e nas boas artes" - a Grã Cruz da Ordem Militar de S. Tiago de Espada .

A cerimónia, que decorreu com rara solenidade, teve lugar na sala dos Actos Grandes na Universidade de Coimbra.

No uso da palavra, o doutor Carneiro Pacheco, ao tempo Ministro da educação Nacional, afirmou que a distinção conferida ao doutor António de Vasconcelos "nunca foi concedida com justiça mais evidente".

Faleceu no dia 2 do mês de Setembro de 1941.

 

Fausto Augusto Soares

Oriundo de uma das mais numerosas e ilustres famílias de toda a região das Beiras, Fausto Augusto Soares era filho de Diamantino Neto e da D. Maria do Carmo Soares Freire e casado com a D. Maria Amália vaz da Fonseca e Costa, de S. Paio de Gramaços - senhora de raras virtudes, muito sensível à pobreza e de sólida cultura. Era sobrinho do Prof. Doutor Basílio A. Soares da Costa Freire, Lente de Medicina na Universidade de Coimbra, investigador e escritor notável, sendo de destacar os seus estudos de Anatomia Humana, descritiva e comparada, de Antropologia Patológica, etc., muitos dos quais foram publicados em revistas da especialidade e no Boletim da Associação Española para el Progresso das Ciências.

Portador de vasta erudição, especialmente na carreira que abraçou Fausto Soares era formado pela Escola Superior da Farmácia de Coimbra e sua esposa tinha o curso Superior de piano do Conservatório de Lisboa, onde fora colega de Francine Benoit, professora de música, jornalista e publicista.

Começou a sua carreira profissional em Melo, concelho de Gouveia, transferindo-se depois para Oliveira do Hospital onde foi proprietário e director técnico de uma farmácia que, segundo a imprensa da época, até já vendia especialidades farmacêuticas! Recorde-se que nesse tempo o farmacêutico tinha que possuir sólidos conhecimentos de farmacologia e farmacopeia pois a quase totalidade de medicamentos era preparada nos laboratórios das farmácias.

Actualmente tudo é fácil com a substituição dos manipulados pelas especialidades farmacêuticas; e fácil também para os médicos que tinham que manusear complicados formulários.

Mas apesar de abrir a farmácia em Oliveira do Hospital, fausto Soares fixou residência em S. Paio de Gramaços, terra de sua esposa e onde era abastado proprietário.

Ao contrário da quase totalidade da sua família, toda ela monárquica e muito apegada à sua ascendência fidalga, Fausto Soares era um homem simples, rectilíneo, firme nas suas convicções, rejeitando todos os títulos nobiliárquicos  que herdara, para se consagrar inteiramente à defesa da recém nascida Democracia.

De resto, muito antes do 5 de Outubro já era republicano, já combatia as iniquidades sociais, as prepotências, as atitudes violentas, as restrições à liberdade que por vezes se observavam no regime político anterior. Era o único democrata e livre-pensador de família.

Como Péricles, na Oração aos Mortos de Atenas, fausto Soares considerava o cidadão que se mostra estranho ou indiferente à política, "não como amigo do repouso, mas como um ente inútil à sociedade e à República". Conversador apaixonado, os temas predilectos centravam-se na política, na necessidade de expandir e robustecer a jovem República Portuguesa.

Homem de um só rosto, de uma só fé, sempre firme nas suas convicções democráticas, mantinha uma acentuada elegância de convívio, respeitando as teorias políticas dos adversários. Discutia, claro que discutia; mas à base de uma dialéctica polida, construtiva, baseada em argumentos válidos conducentes à persuasão.

Por isso conquistou simpatias e grandes amizades nas fileiras dos dois grandes partidos políticos de época - O Monárquico e o republicano - com cujos simpatizantes e militantes se reunia, algumas vezes na própria Farmácia outras defronte do estabelecimento de firma "Júlio dos Santos e Comp.".

Como Jesus Cristo no célebre Sermão da Montanha, entendia que "tudo o que quiserdes que os homens vos façam, fazei-o também a eles".

No número dos monárquicos da sua intimidade, figuravam D. António de Serpa, Sebastião de Albuquerque (visconde do Ervedal), Manuel Telles (poeta e jornalista), o conselheiro Cabral Metelo; etrc. Mas o seu maior amigo foi o Dr. António Dias - talvez o democrata mais virtuoso do seu tempo.

Durante a sua permanência em Oliveira do Hospital, Fausto Soares foi chamado frequentes vezes a desempenhar cargos importantes no exercício dos quais se revelou sempre um incansável batalhador em defesa dos interesses da comunidade. Como Administrador do Concelho deixou uma larga folha de serviços sendo ainda recordada a forma como meteu na ordem a corja de gatunos e criminosos que nesse tempo aterrorizavam os moradores.

Como Presidente do Município, tomou a iniciativa de ampliar o edifício da Câmara, então de dimensões exíguas - obra a todos os títulos notável e que permitiu que lá se instalassem a cadeia, o tribunal, a Caixa Geral de Depósitos e as finanças, assegurando, portanto, a expansão e regular funcionamento de serviços de capital interesse para a sociedade.

Recorde-se que obteve, do monárquico Cabral Metelo, a concessão graciosa do respectivo terreno.

Fausto Soares foi ainda um dos principais fundadores dos Bombeiros Voluntários de Oliveira do Hospital.

Com o advento da ditadura Salazarista, Fausto Soares moderou a sua actividade política sem nunca ter deixado de ser um democrata convicto, sempre que possível, colaborante em defesa da liberdade amordaçada.

 

Pe. Dionísio Garcia Ribeiro

Em Janeiro de 1851 tomou posse da igreja paroquial, com o título de Prior, o Rev.o Dionísio Garcia Ribeiro, filho da principal família da terra, que depois da ausência de alguns anos, voltava para sua casa, na idade de 29 anos, para pastorear o pequeno rebanho, cujas ovelhas ele conhecia uma por uma, chamando-as pelos seus próprios nomes;...

O seu primeiro acto, logo de entrada, foi construir, interessando nesta construção todo o povo, uma devota e ampla capela de Nossa Senhora dos Milagres, colocando o seu rebanho sob o patrocínio maternal da Virgem Santíssima: e todos os sábados lá ia celebrar a Missa, sempre muito concorrida, e sempre rematada pela Ladainha lauretana;

Não havia cemitério na freguesia, porque o povo, essencialmente rotineiro e avesso a inovações, não consentia que os enterros se fizessem, senão no terreno onde fora a antiga igreja paroquial, havia mais dum século demolida, agora sem paredes nem vedação de espécie alguma, em sítio impróprio e inconveniente. Ali haviam sido sepultados seus pais e avós, através do decurso de nove séculos; ali queriam eles ter as suas sepulturas e de seus filhos. Custou muito a vencer a repugnância incoercível do povo, mas, com muita prudência e tino; e usando do seu grande prestígio e autoridade moral, o Prior conseguiu construir o cemitério, e, a contento de toda a freguesia, lá se fizeram de então em diante os enterros.

Apenas de posse da igreja, o novel Prior logo numa casa sua, contígua ao quintal, que mediava entre ela e a sua residência, estabeleceu uma escola de primeiras letras, regida com toda a regularidade e mais escrupulosa exactidão, gratuitamente, por ele mesmo, sem auxílio de ninguém. Usou de toda a sua autoridade moral para conseguir que essa escola fosse frequentada por todos os rapazes da freguesia, de idade de 7 a 15 anos, e conseguiu-o, com alguma raríssima excepção. 

Como a maior parte da população escolar era de gente pobre, ou de poucos meios, o Professor fornecia-lhes gratuitamente o papel, livros, tinta, lápis e todo o material necessário;

Requereu em concurso e obteve a igreja paroquial suburbana de S. Martinho do Bispo, para onde veio em Fevereiro de 1869. Nesta nova freguesia continuou a série de benemerências, durante os dezassete anos, em que a paroquiou.

Atendendo a seus serviços e qualidades, foi nomeado Arcipreste de Cernache, por provisão episcopal de 12 de Novembro de 1875, e mais tarde apresentado na dignidade de Arcediago de Seia, na catedral de Coimbra, por decreto régio de 15 de Dezembro de 1881; depois foi promovido a Arcediago da Cidade na mesma Catedral, por decreto de 16 de Março de 1882. Recebeu a colação canónica desta dignidade a 25 de Setembro do mesmo ano, tomando posse a 14 de Outubro imediato.

(Faleceu) a 12 de Novembro de 1886 (...), após uma longa e dolorosíssima agonia, em que deu os mais edificantes exemplos de viva fé, de esperança firme, de caridade ardente, de paciência, de conformidade com a santíssima vontade de Deus..

 

António Garcia Ribeiro de Vasconcelos 

in "Correio de Coimbra" N.o 492 (14 de Novembro de 1931)

colaboração Escola EB1 S. Paio de Gramaços

 

João José da Fonseca Soares

Natural de S. paio de Gramaços, João J. F. Soares é filho de Fausto Augusto Soares e de D. Maria Amália Vaz da Fonseca e Costa e casado com a D. Maria Clotilde da Cruz Branquinho e Lima da Costa Soares.

Tendo herdado as virtudes de seu pai, incluindo as convicções políticas, cedo se manifestou avesso a perseguições e condicionalismos à liberdade de expressão impostos pela Revolução vitoriosa do 28 de Maio de 1926.

Socialista por convicção, cedo alinhou nas fileiras deste partido acumulando simpatias em todo o concelho pelo seu prumo e comportamento cívico.

Após o 25 de Abril foi nomeado vice-presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital e quase de seguida, Presidente, em substituição do deputado António Campos.

Vivia-se um ambiente pesado, efervescente, mas João Soares teve o talento de pôr em execução uma política de conciliação hábil, tendente a evitar actos de injustiça e violência. E com muito tacto e equilíbrio estabeleceu um clima de confiança entre governantes e governandos a nível de todo o Concelho.

Também neste aspecto foi fiel seguidor dos princípios que sempre nortearam o comportamento cívico de seu pai. Ignorando os maus exemplos herdados de regime ditatorial, nunca perseguiu ninguém. Antes pelo contrário: chamou a colaborar consigo figuras proeminentes do regime Salazarista, no número das quais se encontrava Luso Luís Gil de Oliveira.

Posteriormente, foi Chefe de Gabinete do Governador Civil de Coimbra, Dr. Santana Maia, permanecendo na Assembleia Distrital cerca de dois anos. No desempenho de tão difíceis e melindrosas funções, continuou a revelar as mesmas qualidades de trabalho e muito saber nas decisões, a mesma diplomacia, sempre necessária no convívio com as massas, principalmente quando há entrechoque de interesses. E também o proverbial espírito de isenção e sentido de justiça.

Recorde-se que João José da Fonseca Soares chegou a ser proposto para o cargo de deputado à Assembleia da República.

 

Doutor Virgílio da Costa Ferreira

O Dr. Virgílio da Costa Ferreira nasceu em S. Paio de Gramaços no dia 24 de Março de 1906, filho de Francisco da Costa Ferreira e D. Alzira da Conceição Garcia Ribeiro, casou-se com a D. Alice Eduarda da Alcântara Costa Dias Ferreira, filha do Dr. António Dias, Desembargador da Relação de Coimbra e figura das mais ilustres da Primeira República, chegando a fazer parte do seu Directório.

Concluído com distinção o exame da 4.ª classe, o Dr. Virgílio Ferreira prosseguiu os estudos em Coimbra, sempre com altas classificações, com o objectivo de fazer os Preparatórios que davam acesso à então chamada Escola da Guerra.

Também pensou em se licenciar em Ciências Matemáticas, tendo sido aprovado nos Preparatórios de Engenharia, mas chegou à conclusão que no tempo este curso não tinha grande futuro e, de acordo com os pais, decidiu matricular-se em Medicina, de facto a sua grande vocação. Porém, para custear as despesas com os estudos universitários, o pai do Dr. Virgílio Ferreira viu-se na necessidade de emigrar para Moçambique nos saudosos tempos em que Portugal também chegava lá.

Mas apesar das muitas dificuldades que teve de vencer, Francisco da Costa Ferreira não só formou o filho, como conseguiu ainda licenciar em Farmácia uma das filhas, a Dr.ª Hilda da Costa Ferreira.

Como a África nesse tempo era o sonho da juventude, a jovem licenciada instalou uma moderna farmácia na cidade de Nova Lisboa, em Angola onde, graças à sua competência profissional e invulgares qualidades de trabalho, conseguiu acumular elevada fortuna; mas uma descolonização incompreensivelmente apressada e iníqua obrigou-a a abandonar todos os haveres, porque importava em primeiro lugar salvar a vida e as dos seus familiares.

Como estudante universitário, o Dr. Virgílio Ferreira foi um dos boémios do seu tempo. Além de outros, tinha por companheiros em ceias e noitadas, duas figuras carismáticas de Coimbra de todos os tempos: Castelão de Almeida (o célebre director do jornal humorístico "O Poney" que a cidade inteira devorava com sofreguidão) e Henrique Pereira da Mota.

Mas havia uma diferença: enquanto Castelão de Almeida e o "Pantaleão" eram boémios a tempo inteiro, com os inevitáveis "chumbos" no fim do ano, Virgílio Ferreira acompanhava-os em regime de part-time sempre que os estudos assim o permitiam. Por isso se formou, sem nunca ter perdido um ano e com boas classificações.

Por isso se impôs, desde o dia em pela primeira vez abriu o consultório, como um um dos médicos mais competentes de toda esta região. Recorde-se que o Dr. Virgílio iniciou a sua carreira profissional, em Oliveira do Hospital, no dia 9 de Janeiro  de 1934. Nesses saudosos tempos uma consulta custava apenas 5$00.

De facto, quer como o médico quer como humanitarista (em tão nobre profissão os dois conceitos devem ser intrínsecos), o Dr. Virgílio Ferreira é mestre na arte de conviver com os doentes. De uma percepção espantosa nos difíceis momentos de reflexão que ditam o diagnóstico e o prognóstico, o seu juízo certeiro não só abarca as causas de enfermidade como encerra também uma forte componente da psicologias do paciente.

Não há dúvida nenhuma: o Dr. Virgílio Ferreira nasceu para ser médico. É uma aptidão inata, e em qualquer profissão nunca alcançaria tão completo êxito. Dominado com impressionante à-vontade a ciência que informa a mais bela de todas as profissões, uma invulgar agilidade de raciocínios permitem-lhe detectar, num ápice, as causas da enfermidade e atalhar o mal sempre que a farmacopeia ao seu dispor assim o permitisse.

"No convívio com a dor a sua presença é tão forte que muitas vezes representa meia cura, é a simpatia que irradia do seu olhar, de tudo quanto conta e quando diz - a confiança que penetra profundamente na alma do doente. Basta-lhe um sorriso e duas palavras de conforto dirigidas ao coração para inspirar a quem sofre uma confiança ilimitada que anestesia a dor, levanta o moral e ajuda a curar.

É vulgar sair da boca dos doentes esta frase maravilhosa: " Quando o Dr. Virgílio chegar ao pé de mim, começo logo a sentir melhoras".

Mas além de um competentíssimo médico de cínica geral (a mais extensa e complexa de todas as especialidades, aquela que identifica e classifica a doença), desde o início da sua carreira que o o Dr. Virgílio Ferreira se impôs como um autêntico especialista em obstetrícia - a mais atípica e inesperada de todas as situações em que o médico é chamado a intervir. Mas para ele as dificuldades desvaneciam-se na facilidade toda feita de saber com que resolvia as situações mais difíceis. Suas mãos tinham radar e só em casos extremos recorria à cesariana. daí a justa fama que granjeou ao longo de toda a sua carreira."

De facto, apesar de se tratar de um fenómeno natural, num parto tudo põe acontecer e a vida ou saúde (presente e futura) da parturiente, dependem  sobre maneira da forma como o médico actua nesses minutos decisivos que ás vezes são horas e dias.

Em S. Paio de Gramaços, a sua terra natal, o Dr. Virgílio Ferreira nunca levou dinheiro a ninguém. E o mesmo acontecia quando era chamado a tratar doentes pobres, que quase sempre encontrava subalimentados. As consultas aos amigos também eram de graça.

Resumindo: como os amigos eram muitos e os pobres ainda mais, nunca conseguiu acumular fortuna com base na sua actividade profissional.

Um símbolo de bondade e um exemplo de virtudes.

 

Comendador Serafim Marques

Nasceu na freguesia de S. Paio de Gramaços - Oliveira do Hospital a 10 de Abril de 1928.

Ainda muito jovem começa a trabalhar na Construção Civil. Destaca-se quer pelas capacidades de trabalho que possui, quer pelos conhecimentos que adquire. De tal forma, que aos 17 anos era já encarregado geral.

Nos anos 50 emigra para o Brasil e, após 6 meses de permanência, estabelece-se por conta própria com uma empresa de construção civil. Durante os 18 anos que aí viveu, para além da construção civil, fez parte de algumas sociedades industriais, nomeadamente no ramo das madeiras e panificação.

Em 1972, regressa a Portugal e estabelece-se em Lisboa com uma empresa de construção civil. Constrói um pouco por todo lado na área metropolitana da capital. Dedica-se também à Compra e Venda de Imóveis.

Porém, nada o faz esquecer o seu torrão Natal e  tudo tem feito ao seu alcance para ajudar ao seu desenvolvimento. De alguma forma, tem ajudado a criar as condições necessárias para que os jovens, seus conterrâneos, tenham hoje, aquilo que a ele, pelas vicissitudes da vida, lhe foi negado.

Benemérito entre os beneméritos, ninguém escapa à sua vontade generosa de bem fazer: Escuteiros, futebol, Bombeiros, Igreja, Ranchos Folclóricos, colectividades...

É tão grande o seu amor à sua Terra que o viu nascer, que em boa hora mandou construir o magnifico Pavilhão e de seguida fez a doação à Sociedade Recreativa Lealdade Sampaense, adquiriu um autocarro e pô-lo ao serviço da colectividade. Mais recentemente contribuiu fortemente no apoio à construção de uma piscina semi-olímpica, à adaptação da antiga sede da S.R.L.S. em creche e à construção de um lar para a 3.ª idade, que agora se iniciou.

Para além destes e outros tantos contributos, destaca-se o carinho que tem tido pelo basquetebol, ajudando a Sociedade Recreativa Lealdade Sampaense a obter grandes sucessos, ao mais alto nível de competição desta modalidade.

 

Recentemente no passado dia 10 de Junho de 2007, nas comemorações do próprio dia, o benemérito foi condecorado pelo Ex.mo Sr. Presidente da República, recebendo a medalha de Mérito Civil e que lhe deu o título de Comendador. (ver notícia)

 

 

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