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historial > figuras ilustres::
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São
em elevado número os homens ilustres que nasceram em S. Paio de
Gramaços. De resto, ilustres são todos aqueles que ao longo dos anos
têm contribuído para o progresso e bom nome da sua terra natal, seja
pela sua cultura, pela actividade profissional, pelo seu bairrismo
construtivo. Infelizmente hoje, em S. Paio de Gramaços, são mais
aqueles que lutam por denegrir a imagem da nossa freguesia, atrasando o
progresso e apagando o bairrismo / tradição que nos envolvia há anos
atrás. Entranhado
nas nossas vidas presentes, fazendo referência ao benemérito Serafim
Marques, a grande figura Sampaense dos tempos modernos cujo nome
perdurará na memória dos Homens para todo o sempre; mas ocorrem-nos
mais seis nomes, dos quais dispomos de dados curriculares, e que
passamos a mencionar. |
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Comendador Alexandre Rodrigues
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Vamos
recordar o Comendador Alexandre Rodrigues oriundo da Quinta do Calado
nascido a 29.10.1887. A ele se devem:
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construção das nossas escolas -
pintura e reparação da Igreja em 1930 -
pintura e reparação da capela e construção do campanário com dois
sinos. Providenciou
a electrificação da nossa aldeia. Mandou
por intermédio do seu irmão Francisco Silva plantar as tileiras no
terreiro da Senhora dos Milagres.
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Deu
na Raposeira o terreno para aumentarem a SRLS. Promoveu
no Brasil de tal maneira a Romaria da Nossa Senhora dos Milagres que no
concurso da melhor romaria ganhou o primeiro prémio (um cálice em
ouro). O
título de Comendador foi atribuído pelo Governo. Este
grande benemérito faleceu em 19.06.1962. |
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Prof. Doutor António Garcia Ribeiro de
Vasconcelos
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O
Prof. Doutor António Garcia Ribeiro de Vasconcelos nasceu em S. Paio de
Gramaços no dia 1 de Julho de 1860.
Terminados
os estudos elementares na sua terra natal, em 1869 fixou-se em Coimbra,
indo viver em casa de seu tio paterno, O Pe. Dionísio Garcia Ribeiro,
prior de S. Martinho de Bispo e, mais tarde, arcediago da Sé de
Coimbra.
Decidido
a seguir a vida eclesiástica, matriculou-se no Seminário, tendo-se
ordenado sacerdote em 6 de Junho de 1865. A sua primeira missa fio
rezada em S. Paio de Gramaços a 27 de Junho do mesmo ano na capela,
mandada edificar, para esse efeito, pelo Dr. Lourenço Justiniano da
Fonseca e Costa.
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Terminado
o curso secundário, matriculou-se, em 1878, na Faculdade de
Teologia onde obteve as mais altas classificações. Em
1885 licenciou-se em Teologia e em Junho de 1886 fez provas de
doutoramento.
Em 26 de Maio de 1887 foi nomeado lente para a regência
das cadeiras de Estudos Bíblicos e Direito Eclesiástico. Na mesma
faculdade de Teologia e até à sua extinção em 1910, regeu
Dogmática, Ética Cristã e Isagoge Geral e Arqueologia Bíblica.
Faculdade de Teologia foi extinta pelo regime republicano (decreto com
força de lei de 23 de Outubro de 1910); mas o Governo Provisório, por
Decreto com força de lei de Abril de 1911, decidiu criar, também na
Universidade de Coimbra, uma Faculdade de Letras destinada ao ensino das
ciências psicológicas, filológicas e histórico - geográficas. E o
doutor António de Vasconcelos, que tanto havia contribuído para a
fundação da nova Faculdade, foi o seu primeiro director.
Era
nesse tempo Ministro do Interior o Dr. António José de Almeida e
Director - Geral da Instrução Superior o Dr. Ângelo da Fonseca. Nessa
altura já o ilustre catedrático se havia imposto nas cúpulas
académicas nacionais e estrangeiras como um sábio, um historiador -
investigador de incomparável erudição, além de escritor e jornalista
dos mais brilhantes sempre que divulgava, no "Correio de
Coimbra" e outros jornais e revistas da época, excertos dos
trabalhos de pesquisa histórica. Acrescente-se
que o Doutor António de Vasconcelos, além de um grande teólogo e
investigador incansável de documentos históricos, era simultaneamente
um pedagogo, um filólogo e humanista, crítico de arte, orador,
liturgista, arqueólogo, exegeta, numismata, epigrafo, paleógrafo,
etc. e historiador em todas estas ciências, artes ou ramos de saber.
Foi, de facto, uma figura ímpar em todos os domínios do saber. O
Doutor António de Vasconcelos legou à cultura um bibliografia
vastíssima, constituída por mais de duas centenas e meia de estudos. E
se é certo que muitos dos seus melhores escritos se centram em Coimbra
(história de figuras ilustres, monumentos e tradições), mas são
poucos os estudos que dedicou ao concelho da sua naturalidade e
arredores como, por exemplo, Viriato, 1894; A Câmara Municipal de
Oliveira do Hospital - Documentos interessantes para a história da
actual vereação, 1903; Brás Garcia de Mascarenhas - estudo de
investigação histórica, 1922; Oliveira do Hospital e o seu escudo de
armas, 1922; Os sinos de minha aldeia, 1934; A Igreja de S. Pedro de
Lourosa, 1935; e ainda uma Alocução Pronunciada na Capela de São
Lourenço Justiniano, sita em Oliveira do Hospital, em 7 de Outubro de
1899, no acto solene de casamento da ilustre benemérito Senhora Dona
Josefina da Fonseca com o José Correia de Lacerda e Lemos. O
Dr. António de Vasconcelos foi o primeiro director do Arquivo da
Universidade de Coimbra, onde realizou obra notabilíssima e o primeiro
presidente da Académica Portuguesa da História, por ele criada em
1937. O
ilustre Lente da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra exerceu
funções docentes até ao dia 1 Julho de 1930, sendo por força da lei
afastado da actividade docente por completar 70 anos de idade e também
47 de magistério universitário. Havia
completado há poucos dias 76 anos de idade quando o Governo da Nação
entendeu seu dever prestar pública homenagem ao lente jubilado, ao
Professor ilustre, ao investigador e historiador de excepcional
craveira. No dia 6 de Junho de 1936, o Ministro da Educação Nacional
deslocou-se a Coimbra a fim de impor ao doutor António de Vasconcelos
as insígnias do mais alto grau da Ordem com que em Portugal se
consagram " os que exaltam o nome português com funda
representação nas ciências, nas letras, no magistério e nas boas
artes" - a Grã Cruz da Ordem Militar de S. Tiago de Espada . A
cerimónia, que decorreu com rara solenidade, teve lugar na sala dos
Actos Grandes na Universidade de Coimbra. No
uso da palavra, o doutor Carneiro Pacheco, ao tempo Ministro da
educação Nacional, afirmou que a distinção conferida ao doutor
António de Vasconcelos "nunca foi concedida com justiça mais
evidente".
Faleceu
no dia 2 do mês de Setembro de 1941.
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Fausto Augusto Soares
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Oriundo
de uma das mais numerosas e ilustres famílias de toda a região das
Beiras, Fausto Augusto Soares era filho de Diamantino Neto e da D. Maria
do Carmo Soares Freire e casado com a D. Maria Amália vaz da Fonseca e
Costa, de S. Paio de Gramaços - senhora de raras virtudes, muito
sensível à pobreza e de sólida cultura. Era sobrinho do Prof. Doutor
Basílio A. Soares da Costa Freire, Lente de Medicina na Universidade de
Coimbra, investigador e escritor notável, sendo de destacar os seus
estudos de Anatomia Humana, descritiva e comparada, de Antropologia
Patológica, etc., muitos dos quais foram publicados em revistas da
especialidade e no Boletim da Associação Española para el
Progresso das Ciências. Portador
de vasta erudição, especialmente na carreira que abraçou Fausto
Soares era formado pela Escola Superior da Farmácia de Coimbra e sua
esposa tinha o curso Superior de piano do Conservatório de Lisboa, onde
fora colega de Francine Benoit, professora de música, jornalista e
publicista. Começou
a sua carreira profissional em Melo, concelho de Gouveia,
transferindo-se depois para Oliveira do Hospital onde foi proprietário
e director técnico de uma farmácia que, segundo a imprensa da época,
até já vendia especialidades farmacêuticas! Recorde-se que nesse
tempo o farmacêutico tinha que possuir sólidos conhecimentos de
farmacologia e farmacopeia pois a quase totalidade de medicamentos era
preparada nos laboratórios das farmácias. Actualmente
tudo é fácil com a substituição dos manipulados pelas especialidades
farmacêuticas; e fácil também para os médicos que tinham que
manusear complicados formulários. Mas
apesar de abrir a farmácia em Oliveira do Hospital, fausto Soares fixou
residência em S. Paio de Gramaços, terra de sua esposa e onde era
abastado proprietário. Ao
contrário da quase totalidade da sua família, toda ela monárquica e
muito apegada à sua ascendência fidalga, Fausto Soares era um homem
simples, rectilíneo, firme nas suas convicções, rejeitando todos os
títulos nobiliárquicos que herdara, para se consagrar
inteiramente à defesa da recém nascida Democracia. De
resto, muito antes do 5 de Outubro já era republicano, já combatia as
iniquidades sociais, as prepotências, as atitudes violentas, as
restrições à liberdade que por vezes se observavam no regime
político anterior. Era o único democrata e livre-pensador de família. Como
Péricles, na Oração aos Mortos de Atenas, fausto Soares
considerava o cidadão que se mostra estranho ou indiferente à
política, "não como amigo do repouso, mas como um ente inútil
à sociedade e à República". Conversador apaixonado, os temas
predilectos centravam-se na política, na necessidade de expandir e
robustecer a jovem República Portuguesa. Homem
de um só rosto, de uma só fé, sempre firme nas suas convicções
democráticas, mantinha uma acentuada elegância de convívio,
respeitando as teorias políticas dos adversários. Discutia, claro que
discutia; mas à base de uma dialéctica polida, construtiva, baseada em
argumentos válidos conducentes à persuasão. Por
isso conquistou simpatias e grandes amizades nas fileiras dos dois
grandes partidos políticos de época - O Monárquico e o republicano -
com cujos simpatizantes e militantes se reunia, algumas vezes na
própria Farmácia outras defronte do estabelecimento de firma
"Júlio dos Santos e Comp.". Como
Jesus Cristo no célebre Sermão da Montanha, entendia que "tudo
o que quiserdes que os homens vos façam, fazei-o também a eles". No
número dos monárquicos da sua intimidade, figuravam D. António de
Serpa, Sebastião de Albuquerque (visconde do Ervedal), Manuel Telles
(poeta e jornalista), o conselheiro Cabral Metelo; etrc. Mas o seu maior
amigo foi o Dr. António Dias - talvez o democrata mais virtuoso do seu
tempo. Durante
a sua permanência em Oliveira do Hospital, Fausto Soares foi chamado
frequentes vezes a desempenhar cargos importantes no exercício dos
quais se revelou sempre um incansável batalhador em defesa dos
interesses da comunidade. Como Administrador do Concelho deixou uma larga
folha de serviços sendo ainda recordada a forma como meteu na ordem a
corja de gatunos e criminosos que nesse tempo aterrorizavam os
moradores. Como
Presidente do Município, tomou a iniciativa de ampliar o edifício da
Câmara, então de dimensões exíguas - obra a todos os títulos
notável e que permitiu que lá se instalassem a cadeia, o tribunal, a
Caixa Geral de Depósitos e as finanças, assegurando, portanto, a
expansão e regular funcionamento de serviços de capital interesse para
a sociedade. Recorde-se
que obteve, do monárquico Cabral Metelo, a concessão graciosa do
respectivo terreno. Fausto
Soares foi ainda um dos principais fundadores dos Bombeiros Voluntários
de Oliveira do Hospital. Com
o advento da ditadura Salazarista, Fausto Soares moderou a sua
actividade política sem nunca ter deixado de ser um democrata convicto,
sempre que possível, colaborante em defesa da liberdade amordaçada.
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Pe. Dionísio Garcia Ribeiro
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Em
Janeiro de 1851 tomou posse da igreja paroquial, com o título
de Prior, o Rev.o Dionísio Garcia Ribeiro, filho da principal
família da terra, que depois da ausência de alguns anos,
voltava para sua casa, na idade de 29 anos, para pastorear o
pequeno rebanho, cujas ovelhas ele conhecia uma por uma,
chamando-as pelos seus próprios nomes;...
O
seu primeiro acto, logo de entrada, foi construir, interessando
nesta construção todo o povo, uma devota e ampla capela de
Nossa Senhora dos Milagres, colocando o seu rebanho sob o patrocínio
maternal da Virgem Santíssima: e todos os sábados lá ia
celebrar a Missa, sempre muito concorrida, e sempre rematada
pela Ladainha lauretana;
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Não
havia cemitério na freguesia, porque o povo, essencialmente
rotineiro e avesso a inovações, não consentia que os enterros
se fizessem, senão no terreno onde fora a antiga igreja
paroquial, havia mais dum século demolida, agora sem paredes
nem vedação de espécie alguma, em sítio impróprio e
inconveniente. Ali haviam sido sepultados seus pais e avós,
através do decurso de nove séculos; ali queriam eles ter as
suas sepulturas e de seus filhos. Custou muito a vencer a repugnância
incoercível do povo, mas, com muita prudência e tino; e usando
do seu grande prestígio e autoridade moral, o Prior conseguiu
construir o cemitério, e, a contento de toda a freguesia, lá
se fizeram de então em diante os enterros.
Apenas
de posse da igreja, o novel Prior logo numa casa sua, contígua ao
quintal, que mediava entre ela e a sua residência, estabeleceu uma
escola de primeiras letras, regida com toda a regularidade e mais
escrupulosa exactidão, gratuitamente, por ele mesmo, sem auxílio de
ninguém. Usou de toda a sua autoridade moral para conseguir que essa
escola fosse frequentada por todos os rapazes da freguesia, de idade de
7 a 15 anos, e conseguiu-o, com alguma raríssima excepção.
Como
a maior parte da população escolar era de gente pobre, ou de poucos
meios, o Professor fornecia-lhes gratuitamente o papel, livros, tinta, lápis
e todo o material necessário;
Requereu
em concurso e obteve a igreja paroquial suburbana de S. Martinho do
Bispo, para onde veio em Fevereiro de 1869. Nesta nova freguesia
continuou a série de benemerências, durante os dezassete anos, em que
a paroquiou.
Atendendo
a seus serviços e qualidades, foi nomeado Arcipreste de Cernache, por
provisão episcopal de 12 de Novembro de 1875, e mais tarde apresentado
na dignidade de Arcediago de Seia, na catedral de Coimbra, por decreto régio
de 15 de Dezembro de 1881; depois foi promovido a Arcediago da Cidade na
mesma Catedral, por decreto de 16 de Março de 1882. Recebeu a colação
canónica desta dignidade a 25 de Setembro do mesmo ano, tomando posse a
14 de Outubro imediato.
(Faleceu)
a 12 de Novembro de 1886 (...), após uma longa e dolorosíssima agonia,
em que deu os mais edificantes exemplos de viva fé, de esperança
firme, de caridade ardente, de paciência, de conformidade com a santíssima
vontade de Deus..
António
Garcia Ribeiro de Vasconcelos
in
"Correio de Coimbra"
N.o 492 (14 de Novembro de 1931)
colaboração
Escola EB1 S. Paio de Gramaços
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João José da Fonseca Soares
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Natural de S. paio de Gramaços, João J. F. Soares é filho de
Fausto Augusto Soares e de D. Maria Amália Vaz da Fonseca e Costa e
casado com a D. Maria Clotilde da Cruz Branquinho e Lima da Costa
Soares. Tendo
herdado as virtudes de seu pai, incluindo as convicções políticas,
cedo se manifestou avesso a perseguições e condicionalismos à
liberdade de expressão impostos pela Revolução vitoriosa do 28 de
Maio de 1926. Socialista
por convicção, cedo alinhou nas fileiras deste partido acumulando
simpatias em todo o concelho pelo seu prumo e comportamento cívico. Após
o 25 de Abril foi nomeado vice-presidente da Comissão Administrativa da
Câmara Municipal de Oliveira do Hospital e quase de seguida,
Presidente, em substituição do deputado António Campos. Vivia-se
um ambiente pesado, efervescente, mas João Soares teve o talento de
pôr em execução uma política de conciliação hábil, tendente a
evitar actos de injustiça e violência. E com muito tacto e equilíbrio
estabeleceu um clima de confiança entre governantes e governandos a
nível de todo o Concelho. Também
neste aspecto foi fiel seguidor dos princípios que sempre nortearam o
comportamento cívico de seu pai. Ignorando os maus exemplos herdados de
regime ditatorial, nunca perseguiu ninguém. Antes pelo contrário:
chamou a colaborar consigo figuras proeminentes do regime Salazarista,
no número das quais se encontrava Luso Luís Gil de Oliveira. Posteriormente,
foi Chefe de Gabinete do Governador Civil de Coimbra, Dr. Santana Maia,
permanecendo na Assembleia Distrital cerca de dois anos. No desempenho
de tão difíceis e melindrosas funções, continuou a revelar as
mesmas qualidades de trabalho e muito saber nas decisões, a mesma
diplomacia, sempre necessária no convívio com as massas, principalmente
quando há entrechoque de interesses. E também o proverbial espírito
de isenção e sentido de justiça. Recorde-se
que João José da Fonseca Soares chegou a ser proposto para o cargo de
deputado à Assembleia da República.
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Doutor Virgílio da Costa Ferreira
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O
Dr. Virgílio da Costa Ferreira nasceu em S. Paio de Gramaços no dia 24
de Março de 1906, filho de Francisco da Costa Ferreira e D. Alzira da
Conceição Garcia Ribeiro, casou-se com a D. Alice Eduarda da
Alcântara Costa Dias Ferreira, filha do Dr. António Dias,
Desembargador da Relação de Coimbra e figura das mais ilustres da
Primeira República, chegando a fazer parte do seu Directório. Concluído
com distinção o exame da 4.ª classe, o Dr. Virgílio Ferreira
prosseguiu os estudos em Coimbra, sempre com altas classificações, com
o objectivo de fazer os Preparatórios que davam acesso à então chamada
Escola da Guerra. Também
pensou em se licenciar em Ciências Matemáticas, tendo sido aprovado
nos Preparatórios de Engenharia, mas chegou à conclusão que no tempo
este curso não tinha grande futuro e, de acordo com os pais, decidiu
matricular-se em Medicina, de facto a sua grande vocação. Porém, para
custear as despesas com os estudos universitários, o pai do Dr.
Virgílio Ferreira viu-se na necessidade de emigrar para Moçambique nos
saudosos tempos em que Portugal também chegava lá. Mas
apesar das muitas dificuldades que teve de vencer, Francisco da Costa
Ferreira não só formou o filho, como conseguiu ainda licenciar em
Farmácia uma das filhas, a Dr.ª Hilda da Costa Ferreira. Como
a África nesse tempo era o sonho da juventude, a jovem licenciada
instalou uma moderna farmácia na cidade de Nova Lisboa, em Angola onde,
graças à sua competência profissional e invulgares qualidades de
trabalho, conseguiu acumular elevada fortuna; mas uma descolonização
incompreensivelmente apressada e iníqua obrigou-a a abandonar todos os
haveres, porque importava em primeiro lugar salvar a vida e as dos seus
familiares. Como
estudante universitário, o Dr. Virgílio Ferreira foi um dos boémios
do seu tempo. Além de outros, tinha por companheiros em ceias e
noitadas, duas figuras carismáticas de Coimbra de todos os tempos:
Castelão de Almeida (o célebre director do jornal humorístico "O
Poney" que a cidade inteira devorava com sofreguidão) e Henrique
Pereira da Mota. Mas
havia uma diferença: enquanto Castelão de Almeida e o
"Pantaleão" eram boémios a tempo inteiro, com os
inevitáveis "chumbos" no fim do ano, Virgílio Ferreira
acompanhava-os em regime de part-time sempre que os estudos assim o
permitiam. Por isso se formou, sem nunca ter perdido um ano e com boas
classificações. Por
isso se impôs, desde o dia em pela primeira vez abriu o consultório,
como um um dos médicos mais competentes de toda esta região.
Recorde-se que o Dr. Virgílio iniciou a sua carreira profissional, em
Oliveira do Hospital, no dia 9 de Janeiro de 1934. Nesses saudosos
tempos uma consulta custava apenas 5$00. De
facto, quer como o médico quer como humanitarista (em tão nobre
profissão os dois conceitos devem ser intrínsecos), o Dr. Virgílio
Ferreira é mestre na arte de conviver com os doentes. De uma
percepção espantosa nos difíceis momentos de reflexão que ditam o
diagnóstico e o prognóstico, o seu juízo certeiro não só abarca as
causas de enfermidade como encerra também uma forte componente da
psicologias do paciente. Não
há dúvida nenhuma: o Dr. Virgílio Ferreira nasceu para ser médico.
É uma aptidão inata, e em qualquer profissão nunca alcançaria tão
completo êxito. Dominado com impressionante à-vontade a ciência que
informa a mais bela de todas as profissões, uma invulgar agilidade de
raciocínios permitem-lhe detectar, num ápice, as causas da enfermidade
e atalhar o mal sempre que a farmacopeia ao seu dispor assim o
permitisse.
"No convívio com a dor a sua presença é tão forte que muitas vezes
representa meia cura, é a simpatia que irradia do seu olhar, de tudo
quanto conta e quando diz - a confiança que penetra profundamente na
alma do doente. Basta-lhe um sorriso e duas palavras de conforto
dirigidas ao coração para inspirar a quem sofre uma confiança
ilimitada que anestesia a dor, levanta o moral e ajuda a curar. É
vulgar sair da boca dos doentes esta frase maravilhosa: " Quando o
Dr. Virgílio chegar ao pé de mim, começo logo a sentir
melhoras". Mas
além de um competentíssimo médico de cínica geral (a mais extensa e
complexa de todas as especialidades, aquela que identifica e classifica
a doença), desde o início da sua carreira que o o Dr. Virgílio
Ferreira se impôs como um autêntico especialista em obstetrícia - a
mais atípica e inesperada de todas as situações em que o médico é
chamado a intervir. Mas para ele as dificuldades desvaneciam-se na
facilidade toda feita de saber com que resolvia as situações mais
difíceis. Suas mãos tinham radar e só em casos extremos recorria à
cesariana. daí a justa fama que granjeou ao longo de toda a sua
carreira." De
facto, apesar de se tratar de um fenómeno natural, num parto tudo põe
acontecer e a vida ou saúde (presente e futura) da parturiente,
dependem sobre maneira da forma como o médico actua nesses
minutos decisivos que ás vezes são horas e dias. Em
S. Paio de Gramaços, a sua terra natal, o Dr. Virgílio Ferreira nunca
levou dinheiro a ninguém. E o mesmo acontecia quando era chamado a
tratar doentes pobres, que quase sempre encontrava subalimentados. As
consultas aos amigos também eram de graça. Resumindo:
como os amigos eram muitos e os pobres ainda mais, nunca conseguiu
acumular fortuna com base na sua actividade profissional. Um
símbolo de bondade e um exemplo de virtudes.
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Comendador
Serafim Marques
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Nasceu
na freguesia de S. Paio de Gramaços - Oliveira do Hospital a 10
de Abril de 1928.
Ainda
muito jovem começa a trabalhar na Construção Civil.
Destaca-se quer pelas capacidades de trabalho que possui, quer
pelos conhecimentos que adquire. De tal forma, que aos 17 anos
era já encarregado geral.
Nos
anos 50 emigra para o Brasil e, após 6 meses de permanência,
estabelece-se por conta própria com uma empresa de construção
civil. Durante os 18 anos que aí viveu, para além da construção
civil, fez parte de algumas sociedades industriais, nomeadamente
no ramo das madeiras e panificação.
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Em
1972, regressa a Portugal e estabelece-se em Lisboa com uma
empresa de construção civil. Constrói um pouco por todo lado
na área metropolitana da capital. Dedica-se também à Compra e
Venda de Imóveis.
Porém,
nada o faz esquecer o seu torrão Natal e tudo
tem feito ao seu alcance para ajudar ao seu desenvolvimento. De
alguma forma, tem ajudado a criar as condições necessárias
para que os jovens, seus conterrâneos, tenham hoje, aquilo que
a ele, pelas vicissitudes da vida, lhe foi negado.
Benemérito
entre os beneméritos, ninguém escapa à sua vontade generosa de bem
fazer: Escuteiros, futebol, Bombeiros, Igreja, Ranchos Folclóricos,
colectividades...
É
tão grande o seu amor à sua Terra que o viu nascer, que em boa hora
mandou construir o magnifico Pavilhão e de seguida fez a doação à
Sociedade Recreativa Lealdade Sampaense, adquiriu um autocarro e pô-lo
ao serviço da colectividade. Mais recentemente contribuiu fortemente no
apoio à construção de uma piscina semi-olímpica, à adaptação da
antiga sede da S.R.L.S. em creche e à construção de um lar para a 3.ª
idade, que agora se iniciou.
Para
além destes e outros tantos contributos, destaca-se o carinho que tem
tido pelo basquetebol, ajudando a Sociedade Recreativa Lealdade
Sampaense a obter grandes sucessos, ao mais alto nível de competição
desta modalidade.
Recentemente no passado dia 10 de Junho de 2007, nas
comemorações do próprio dia, o benemérito foi condecorado pelo
Ex.mo Sr. Presidente da República, recebendo a medalha de Mérito
Civil e que lhe deu o título de Comendador. (ver
notícia) |
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S. Paio
Online! © Gil Fonseca
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