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S.
Paio de Gramaços teve o seu castelo?
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Existe,
em S. Paio de Gramaços, como oportunamente referimos, uma propriedade
contígua ao povoado denominada Quinta da Torre. Qual
teria sido a origem deste nome que tem muitos séculos ou talvez milénios de
existência? Tal nomenclatura não deve ter sido obra do acaso. Recorde-se que
nesta mesma Quinta foram recolhidos numerosos testemunhos históricos (e até
pré-históricos) que falam de civilizações remotas que aí se estabeleceram
e prosperaram. E é muito natural que alguma ou algumas dessas civilizações
tivesse tido necessidades de se preocupar com a defesa contra hordas inimigas.
Daí a conveniência de se construir um castelo. Mas
há provas de que assim tenha acontecido; é que na mesma quinta ainda hoje
existem vestígios de uma torre de menagem. Importante
achega que vem reforçar as nossas suspeitas e valorizar ainda mais a grandeza
histórica dessa maravilhosa povoação (antiga vila) que se chama S. Paio de
Gramaços.
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S. Paio de Gramaços e a Terceira Invasão Francesa
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A
história de S. Paio de Gramaços teve continuidade em tempos realtivamente
recentes, onde avultam acontecimentos que deixaram marcas dolorosas que ainda
não foram esquecidas completamente. Queremo-nos referir, principalmente, á
3.ª Invasão Francesa e aos crimes que os exércitos de Massena praticaram,
em retirada, contra uma população ordeira e indefesa. (in
A 3.ª Invasão Francesa e as Terras de Concelho de Oliveira do Hospital, do
Rev.ª padre Laurindo M. Caetano) Contra
o Pe. José Joaquim Garcia Abranches, então cura de S. Paio do Codeço, no
seu relatório de 25 de Abril de 1811, que na retirada para Espanha, os
soldados franceses permaneceram três dias e quatro noites (três no dia 12 de
Março) durante os quais cometeram as maiores atrocidades, deixando a
população na miséria. O
mesmo sacerdote faz uma descrição minuciosa de todos os desacatos e crimes
que passamos a sintetizar: sete mortos entre a população civil, onze
feridos, sete casa incendiadas, das quais nada restou além das paredes;
roubos de toda a ordem na igreja e fora dela, só tendo escapado as imagens
nos seus lugares. Ainda hoje se podem ver vestígios do incêndio na Casa da
Família Vasconcelos, casa onde nasceu o Prof. Dr. António Garcia Ribeiro de
Vasconcelos. Não
há dúvida nenhuma; a população de S. Paio de Gramaços foi duramente
castigada.
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Lutas entre Liberais e Miguelistas
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Durante
as longas lutas entre liberais e Miguelistas, a população de S. Paio de
Gramaços apanhou alguns sobressaltos, principalmente durante o ataque do
Miguelista António da Costa, o Caca, e sua quadrilha á residência do
bacharel José Lourenço da Costa. Mas
contemos a história: O
bacharel José Lourenço da C. Fonseca, pai do bacharel Lourenço Justiniano
da F. Costa, residente em S. Paio, satisfez durante algum tempo os pedidos de
dinheiro que lhe fazia o Caca e que tinham como contrapartida
salvar-lhe a vida. Mas
certa altura, já farto de ser explorado, o ilustre bacharel recusou-se a
enviar-lhe a quantia exigida. Atitude corajosa pois o Dr. José Lourenço
tinha a certeza de que o Caca se vingaria. De
facto, em dia santificado de 1840, depois da missa, a quadrilha do caca
assaltou-lhe a casa. Como não estava prevenido, fechou as portas à chave, o
mesmo fazendo os restantes moradores de S. Paio.
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© Gil Fonseca
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